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Os jovens Guerreiros e Guerreiras da Luz e a Cannabis

A CANNABIS SATIVA (MACONHA)

A Cannabis sativa é uma planta herbácea da família das Canabiáceas e o seu principal composto químico psicoativo é o delta-9-tetrahidrocanabinol, comumente conhecido como THC. Possui também outros canabinoides, como o Cannabidiol e o Cannabinol, todos eles responsáveis pelos seus efeitos no Sistema Nervoso Central. Entre esses efeitos, que atraem muitas pessoas, estão o relaxamento muscular, uma sensação de calma, uma certa sonolência, uma melhora do humor, um aumento do otimismo, um estímulo da criatividade e uma maior ou menor euforia.

Os efeitos do início do uso dessa planta provocam uma sensação agradável, o que cativa muitas pessoas, pois acalma, relaxa, interioriza, “os problemas desaparecem”, “as incomodações perdem a gravidade”, “nada é mais tão sério ou urgente”, “tudo tem solução”, e o uso dessa planta vai se tornando a solução para o estresse diário, para as frustrações, para a tristeza, para a irritação, para as coisas chatas da vida que têm de ser feitas, para acalmar-se durante o dia, para voltar para si ao final do dia, para quando não se tem nada para fazer, e o seu uso gradativamente começa a intensificar-se, porque seu efeito é tão bom que não se vê motivo para não usá-lo, afinal de contas, fica-se mais calmo, mais pacífico, mais alegre, por que não usar, então? 

Muitas pessoas usuárias dessa planta, afirmam que o seu uso, pela expansão da consciência que ela provoca, traz consigo uma abertura espiritual, uma nova visão a respeito da realidade, uma libertação da informação materialista da nossa sociedade egoica e capitalista, como se fosse um reencontro consigo mesmo, com a nossa identidade espiri¬tual, e por isso ela é considerada uma “planta sagrada” e o seu uso é defendido como se fosse um direito espiritual, até baseando-se na liberdade de culto e de opção religiosa. 

Afirma-se que essa planta é “pacífica” em sua mensagem, que ninguém sob seu efeito torna-se violento ou agressivo, que a pessoa fica mais espiritual, mais calma, mais tranquila, mais amorosa. E a comparação com a bebida alcoólica, que é legalizada e incentivada, e o seu efeito desrepressor, liberalizador de características escondidas, que muitas vezes degeneram em agressividade, em posturas auto e heterodestrutivas, é um dos argumentos dos usuários da Cannabis, e não se pode tirar deles totalmente a razão desse raciocínio. Alguns usuários chegam a argumentar que, se todas as pessoas usassem a Cannabis, terminaria a violência na Terra. Pode ser... 

Então, fico pensando, quem sabe o uso sacramental, eventual, da Cannabis, poderia realmente ajudar a erradicarmos a nossa violência inata, a domesticar o ser humano, a amansar o nosso Ego, a nos espiritualizar? Uma utilização, digamos, mensal ou bimensal, em um ritual especial, num Ritual de Lua cheia, num dia de uma configuração astrológica especial, com todo o respeito, com reverência, quem sabe, para acessar níveis espirituais superiores? Mas o uso diário dessa “planta sagrada”, uma utilização cotidiana, a qualquer momento, de qualquer maneira, sem nenhum respeito que exigiria, então, a “sacralidade” dessa planta?. Isso é um uso sacramental de uma “planta sagrada”? Se essa planta realmente é sagrada deveria ser tratada como tal pelos seus usuários, mas não é o que se vê, e, sim, um uso vulgar, sme respeito por ela. E, frequentemente, a abertura espiritual referida por muitos usuários nos primeiros tempos da utilização dessa planta, acaba degenerando  em uma experiência meramente teórica, numa espiritualidade egocêntrica, numa busca de viagens internas de descobertas fantásticas, num exercício egoístico de busca de prazer, de ampliação da capacidade de sentir os sons e as cores, visando apenas viajar, viajar e viajar. A “espiritualização” pode, então, transformar-se numa mera teoria, a prática transformar-se apenas em ideias espirituais, e tudo ir virando um desejo de interiorizar-se mais e mais, ser calmo, pacífico, e apenas isso, e isso me lembra uma história budista: 

 “Uma vez um aprendiz se ofereceu como discípulo de um monge num templo nas montanhas. O monge perguntou o que ele sabia fazer. O aprendiz se sentou e entrou em estado meditativo. Passava o tempo e o candidato a aprendiz, ali, sentado, meditando, interiorizado... Os dias passando e ele ali, sorrindo, feliz, meditando... O monge, num certo momento, resolveu interromper aquele exercício egoísta e perguntou se ele queria ajudar no templo, varrer o chão, limpar a cozinha, o banheiro... O candidato respondeu que queria iluminar-se, preferia ficar ali, meditando... O monge pegou a vassoura que estava lhe oferecendo para trabalhar e o expulsou a vassouradas dizendo que já tinha suficientes budas de pedra para enfeitar o templo!”

A busca de transcendência, a paz do começo de seu uso, a alegria da libertação que o uso dessa planta traz no início, pode, aos poucos, ir transformando-se num desleixo consigo mesmo, numa afetividade insensível ou exagerada com as outras pessoas, e a espiritualidade prática, a que realmente conta, a que dá um resultado evolutivo, baseada no trabalho de ajuda aos necessitados, aos pobres, aos doentes, que exige uma disciplina do nosso ego, que exige uma maturidade psicológica e espiritual, vai dando lugar a uma mera curtição, como se a vida fosse uma sucessão de momentos de relaxamento e de felicidade, principalmen¬te se o usuário conta com outras pessoas que trabalham por ele, que se esforçam pelo seu sustento, que enfrentam as chatices do dia a dia, que cumprem as suas obrigações sociais, que fazem o que ele não gosta de fazer, como ter compromissos, pontualidade no trabalho, enfrentar o trânsito, pagar contas etc., ou seja, uma ou mais pessoas arcam com o ônus do trabalho duro para que o usuário dessa planta possa ser feliz e curtir a sua “onda espiritual”. 

E a liberdade pessoal, a libertação que essa planta traz em sua mensagem, vai-se transformando em uma dependência financeira, gerada pela desativação dos chakras básicos (responsáveis pelo nosso aterramento, pelo nosso direcionamento, pelo nosso poder pessoal), e pela abertura externa dos chakras superio¬res, os chakras espirituais, não de uma maneira consciente, com ¬trabalho, disciplina, constância, respeito e educação em relação às coisas espirituais, e sim da maneira como talvez muitos usuários da Cannabis a utilizam: fumando um baseado, curtindo um barato, numa atividade grupal, entre conversas nem sempre de tom elevado, de ¬caráter espiritual, ou de manhã para acordar, a qualquer hora do dia para espantar o tédio, no intervalo das aulas, camuflados numa pracinha ou numa esquina, à noite para realizar atos raramente elevados, enfim, numa atitude totalmente oposta ao caráter apregoado, ao caráter sagrado dessa planta. 

O uso de uma “planta de poder” exigiria um mínimo de respeito a ela, o que não se observa em muitos dos seus usuários, que fazem uso dela desregradamente, cotidianamente, diariamente, não para evoluir espiritualmente, evoluir como ser humano, mas para ficar feliz, ficar leve, ficar bem... 

Muitas pessoas usuárias vão ficando com dificuldade de concen¬tração, de realização, tornando-se especialistas em postergação. Por que? É que o uso cotidiano dessa planta aumenta o número de receptores de THC no córtex cerebral, no hipocampo, no cerebelo e nos gânglios basais do cérebro, o que provoca os malefícios ¬associados ao seu abuso: as alterações na capacidade de pensamento, a dificuldade de raciocínio, as deficiências da memória e as alterações de coordenação e de aprendizagem. E como consequência, o que pode¬ria, quem sabe, ser um exercício de espiritualização, de ampliação do poder pessoal, de elevação do grau espiritual, transforma-se numa queda vertiginosa do rendimento escolar, do rendimento no trabalho, dos potenciais criativos, do rendimento da própria vida, e a pessoa vai se tornando uma caricatura de si mesmo, sem o perceber.

Todos enxergam a diminuição gradativa de sua persistência, de direcionamento, escutam seus devaneios teóricos e lastimam que esteja botando fora os seus potenciais, todos o aconselham, preocupam-se com ele, mas, dominado pela “paz” que vem dessa planta, dominado pelas influências dos amigos, e dominado pelos espíritos obsessores, não vê isso, e segue fumando, e segue viajando, produzindo cada vez menos ou muito menos do que poderia, evoluindo cada vez menos ou muito menos do que deveria, e nunca fica adulto de verdade, vai perpetuando a adolescência, mas a idade vai chegando, o tempo vai passando, as oportunidades vão se escoando, até que, um dia, com 30 ou 40 anos, desperta e vê o tempo que perdeu, ficou buscando paz e alegria, apenas paz e alegria, sem perceber que isso é egocentrismo e que espiritualidade é trabalho de doação ao próximo, não é teoria, é prática, é amor distribuído, é a mão estendida, é a atitude de viver pelo bem comum, é libertar-se de si, é curar seus sentimentos e não os mascarar. 

As pessoas que trabalham o dia todo e fumam à noite em casa para relaxar acham isso muito bom, afinal de contas, depois de um dia inteiro de trabalho, por que não pode fumar um e relaxar? Mas por que precisa fumar um para relaxar? É a mesma coisa que necessitar tomar Valium, Dienpax, Frontal, também acalmam. E quando elas fumam um baseado e ficam, em casa viajando, estão nessas horas fazendo alguma coisa boa para o mundo? Estão ajudando alguma ONG, alguma Associação de pessoas que querem melhorar alguma situação injusta? Não, estão curtindo... ouvindo um som maravilhoso... tendo ideias fantásticas... Isso é o que pode-se chamar de “o egoísmo do tempo mal aproveitado”. 

Na verdade, o nosso sistema capitalista não é muito adepto do uso do nosso tempo em prol de melhoria das situações criadas e provocadas pela sua ideologia, prefere que as pessoas se distraiam, divirtam-se, e para isso é muito incentivado ver televisão, curtir um som, conversar pela internet, e outros lazeres, e não se vê o mesmo estímulo a ajudar os outros, a sair de casa para cola¬borar em Obras sociais, em Instituições de Caridade, e então a sutil mensagem de “aproveitar o tempo” é, na verdade, um estímulo ao egoís¬mo, ao egocentrismo, ao “passar o tempo”, ao “aproveitar a juventude”, ao “aproveitar a vida”.

A maconha tem um efeito que pode, com o seu mau uso, cotidiano, sem reverência a uma “planta de poder”, tornar-se prejudicial aos seus usuários: tirar o foco. Por expandir a consciência, leva para o astral, diminui o aterramento, o que pode fazer com que as pessoas tenham altos e baixos em sua vontade, uma crescente instabilidade em seu direcionamento, querer muito uma coisa, almejar algo, fumar um baseado, a vontade passar... deixar pra depois... Tem um sonho, gostaria muito de alcançar uma meta, um objetivo, fuma um baseado, aquilo não é mais tão urgente, amanhã eu faço... Quer alcançar um patamar mais elevado em um talento, vê as pessoas que têm o mesmo talento produzindo, destacando-se, também quer ser isso, fuma um baseado, imagina que já é... mas não é... poderia ser, mas a maconha, por prejudicar a capacidade de realização, não deixou... E vai vindo uma frustração... poderia ser isso, poderia ser aquilo, mas perdeu as 3 ferramentas mais necessárias para alcançar o sucesso: o foco, a persistência e a disciplina. E a maconha pode provocaa o oposto disso, ela leva para o Astral, ela abre artificialmente os chakras superiores, enquanto que a disciplina, a persistência e o foco são atributos dos chakras terrenos. 

E o uso da Cannabis, pode, então, de eventual começar a rotineirizar-se, a tornar-se um ato cotidiano, um hábito diário, e parecer que encontrou-se a panaceia para todos ao males. Mas o que o usuário não vê é que o agradável ¬relaxamen¬to vai virando preguiça, a calma vai se transformando em lassidão, a melhora do humor e do otimismo começa a virar postergação, a necessidade de fazer coisas chatas, coisas que não se gosta de fazer mas têm de fazer, vai deixando para mais tarde (“Depois eu faço...”, “Amanhã eu faço...”), o aumento das ideias criativas vai se transformando em uma criatividade apenas teórica (“Tudo bem...”). E vai ficando cada vez mais Ego/ista, mais Ego/cêntrico, mais voltado para o “seu” prazer, o “seu” lazer, a “sua” felicidade, bem como o Sistema gosta... 

Geralmente, o uso da Cannabis começa na pré-adolescência ou na adolescência, e isso pode fazer com que a entrada no mundo adulto comece a demorar para acontecer, e o jovem vai permanecendo jovem, e não amadurece... e os anos vão passando, e o jovem não amadurece... vai ficando sempre jovem, só que já não é mais tão jovem, mas a sua autoima¬gem é de um jovem, e aí começa o pior: pode ir ficando ridículo. Veste-se como um adolescente e já é um adulto, mas não se vê como adulto, sente-se ainda um jovem, mas não é mais... Os seus antigos amigos, “caretas”, tornaram-se adultos, e ele não. Quem estudou, esforçou-se, acabou a Faculdade, está trabalhando, ganhando dinheiro, fazendo coisas, e ele? Ainda morando e dependendo financeiramente dos pais, que passam a ser, então, os culpados por sua situação. Ou, se não são os pais, é a sociedade, o mundo, os políticos... Tornar-se adulto nada mais é do que se tornar um guerreiro e uma guerreira da Luz, sério, responsável, dinâmico, engajado no mundo, verdadeiramente revolucionário no sentido de ajudar o mundo a melhorar. 

O uso cotidiano dessa planta relaxou, acalmou, interiorizou, mas as suas metas e as suas ideias foram se transformando em apenas uma viagem mental, sem uma concretização prática das mesmas. E podem ir ocorrendo duas coisas: uma tendência ao isolamento e à solidão, ou a um excesso de sociabilização, um excesso de intimidade, sem critérios, com uma perda da autocrítica. Dependendo da personalidade do usuário, ele pode não perceber a ruína evolutiva do seu aspecto físico, ir perdendo o cuidado com a roupa, com o cabelo, com a sua postura e com as suas atitudes, a ponto das ¬pessoas verem em que ela se tornou, menos ela própria, pois vai a lugares com o odor característico da planta sem ¬perceber isso, acha que colocar desodorante ou um perfume vai disfarçar o cheiro, mas não disfarça, ou então dá uma escapadinha, some, e depois volta com o sorriso infantiloide característico, falando bobagens, rindo à toa, ou escondendo-se pelo cantos. 

A sua postura, a sua fala, a sua conduta, começam a revelar que ela está substituindo a sua saúde, a sua maturidade, a sua energia positiva, o seu lado guerreiro, por uma atividade egocêntrica, teórica, de quem recusa-se a amadurecer, tornar-se adulto verdadeiramente, numa viagem mental por mundos espirituais que não irão beneficiar nem a ela nem às pessoas com quem convive, e nem pessoas que ¬necessitariam de sua atenção e de seu cuidado, como os doentes, os pobres, os deficientes, num exercício de caridade, de cuidado, de carinho, que seu coração pede, mas que exigiria uma atitude ativa, madura, pró-ativa, e não passiva, adolescentoide, como o uso dessa planta pode criar e perpetuar. 

A felicidade que a pessoa sentia ao início do uso vai se tornando uma alegria infantiloide, porque o uso cotidiano dessa planta pode ir impedindo a pessoa de amadurecer, um jovem de 18 anos comporta-se como um de 14, ou menos, um adulto de 20 e poucos anos parece um adolescente, na linguagem, na maneira de vestir-se, na postura, e isso começa a refletir-se nos estudos, no trabalho, e o uso de uma substância proibida por lei pode ir criando sintomas como uma ilusão de perseguição, podem surgir visões, aflorarem ideias espirituais estranhas, principalmente se o usuário começa a ser (mal) acompanhado por espíritos desencarnados, ex-usuários, que passam a influenciá-lo em seus pensamentos, em seus hábitos, até dominarem completamente a sua mente e a sua vontade. 

A nossa sociedade, ainda materialista, e dominada pela indústria do passatempo e da futilidade, incentiva sutilmente o uso de substâncias que deixem os jovens e as pessoas em geral “alegres” e mais leves, como o álcool e a maconha. Nenhuma pessoa fuma um baseado e vai trabalhar em uma obra de caridade, vai ajudar alguém com dificuldade, ela geralmente vai curtir um som, divertir-se. O uso da maconha vai, então, tornando-se um exercício egoísta, egocêntrico, que visa apenas fazer o usuário sentir-se feliz, mesmo vendo tanta infelicidade à sua volta, mesmo sabendo que poderia estar utilizando melhor o seu tempo em prol de si mesmo, estudar mais, esforçar-se mais, trabalhar mais, ajudar ops outros, ajudar o mundo a melhorar mais efetivamente. No caso de jovens ou mesmo de adultos de classes sociais mais baixas, o seu uso serve para os consolar, para aguentar, para poder lidar melhor com essa condição, e ninguém pode ser contrário ao uso de alguma coisa que atenda essa necessidade. Mas o seu uso crônico, diário, pode ir transformando-se em acomodação, em momentos de “felicidade”, de relaxamento, quando poderia utilizar o mesmo tempo para esforçar-se mais para sair dessa condição que a vida lhe proporcionou, para destacar-se na escola, no seu trabalho, para conseguir reverter uma situação adversa em algo muito melhor. Mas o uso da maconha, como também do álcool, do crack e de outras que vêm vindo, sempre com a mesma finalidade – “trazer alegria” –, pode fazer com que o tempo, que poderia ser utilizado para progresso, para a busca do sucesso material, financeiro, seja direcionado apenas para acalmar-se, para relaxar. 

No caso de jovens e de adultos de classe média ou alta, o uso da maconha, da bebida alcoólica, da cocaína (“droga de rico”), é um exercício de egoísmo, de atestado do mau uso do tempo, direcionado apenas para si mesmo, e não para os outros, para a sua “paz” e não para os mais necessitados, os carentes, os doentes, os infelizes que estão em hospitais, em creches, em asilos, pelas ruas. 

Muitos usuários da Cannabis são fãs de Osho e sua mensagem libertária. Veja a orientação que Osho deu a um usuário dessa planta:

Um jovem fala com o Mestre e lhe diz: “Eu fumo maconha e quando fumo sei quem eu sou. Sinto Deus dentro de mim, eu O vejo em todas as coisas. Falo com a grama, falo com as flores, e elas respondem. Sinto-me feliz, sinto-me completamente contente. Mas depois me dá uma pressão na cabeça que me preocupa, então não sei se eu deveria fumar ou não, mas ela me dá uma grande esperança para o futuro. Fumando maconha eu tenho visões de onde eu gostaria de estar. O que o senhor acha disso?”. 

Osho respondeu: “Essa esperança é apenas ilusória, não é uma esperança real. A coisa toda é apenas uma ilusão química e a mudança química pode estar lhe dando pressão na cabeça porque a coisa inteira acontece no seu sistema nervoso. Essa pressão é uma indicação para parar com isso. Com o tempo, poderá ser perigoso, pois pode destruir alguns nervos necessários no cérebro. É destrutivo, é um sonho muito caro. É bonito, mas mesmo que um sonho seja bonito ele é um sonho, e pela manhã você está de volta novamente à realidade, e isso custa caro. Se continuar consumindo maconha por muito tempo, ela fará a sua inteligência se deteriorar. As pessoas que fumam maconha ou coisas assim por muito tempo tornam-se idiotas. A sua inteligência perde acuidade porque a pressão química diária sobre os nervos é prejudicial. Você não está ganhando nada, só uma ilusão. Quando você fuma maconha e acha que sabe quem você é, isso não tem importância alguma. Você tem que saber disso quando você está alerta, atento, completamente natural, sem nenhuma pressão de substância química a criar coisas em você. Aí é que você tem que saber quem é você. Temos de ser iluminados de um modo comum, só então é iluminação verdadeira. Podemos achar atalhos, mas todos os atalhos são falsos. Não há nenhum atalho para a autorrealização. Os atalhos só criam pequenos circuitos dentro de você e liberam sonhos, liberam imaginação. Isso não é bom para você, não é bom para ninguém. É melhor parar o quanto antes. Criar uma experiência que não é seu estado natural é inútil. Ela destrói a sua vida e destrói as suas oportunidades de tornar-se alerta, ciente da realidade como ela é. Não é preciso buscar Deus nas árvores. Se você apenas puder ver as árvores como elas são, tudo é percebido. Por que impor Deus? Você não precisa ver Deus em ninguém e em nada. Se puder ver apenas a pessoa real que estiver aí, isso já é o bastante! Deus simplesmente significa a realidade, Ele é a realidade comum que o cerca. Quando eu digo que Deus está nas árvores, não quero dizer que você terá que ver Deus nas árvores, que uma cabeça começará a florescer na árvore, então alguém o olhará e você terá um encontro e um diálogo e esse alguém dirá “Oi!”. Quando digo “Veja Deus nas árvores”, simplesmente quero dizer ver a árvore como ela é sem qualquer ideia de sua parte. Veja a verdade da árvore. Isso é o Deus da árvore, o verdor dela, a flor, a alegria, o enraizamento dela, a força e a fragilidade. Como você pode ver Deus na árvore? Uma árvore é uma árvore! Você não deve se enganar, mas quando fuma maconha você se torna um bobo, e então é muito fácil se enganar. Para ver a realidade, a gente tem que ser completamente comum e não usar nada, nenhum jejum, nem posturas, a pessoa tem que simplesmente ser como ela é. Portanto, não tenha pressa e não corra. Sim, as drogas dão velocidade, mas não acelere e não se apresse artificialmente. Seja paciente e permita que as coisas cresçam lentamente. Todas as coisas reais crescem lentamente, elas têm o seu próprio ritmo. O que você me contou, significa que algo tem que amadurecer em você. Fique satisfeito e contente-se com qualquer coisa disponível neste exato momento, não peça mais. Eu sei que usando qualquer droga, isso fica muito difícil porque a droga atrai. Sem qualquer esforço de sua parte, algo começa a acontecer, então por que se importar com qualquer outra coisa? Por que meditar e por que ficar alerta quando a droga pode desencadear o processo imediatamente? Ela vem sendo usada há séculos, não é nada de novo. No Ocidente é uma coisa nova, mas no Oriente é uma das práticas mais antigas. Mas as pessoas que tomam drogas nunca chegam a lugar nenhum. Se você realmente quer ver o que há dentro de você, tem que parar com todos os tipos de projeção. Parecerá bobagem no princípio. Não será tão encantador, não terá tanta atração, tanta fascinação, mas não é preciso fascinação, encantamento, isso não é preciso. A gente deve se satisfazer com a realidade comum. Se você puder fazer isso durante seis meses sem a droga, vivendo apenas com o comum, sem desejar o extraordinário, começará a ver a verdade das coisas comuns. E no próprio comum o extraordinário está escondido. O ordinário é a porta para o extraordinário. Minha sugestão é que você largue dela, pare completamente!”

O início do uso dessa planta é uma lua de mel, mas depois dessa lua de mel, com o passar do tempo, muitas vezes começa a surgir o desconforto quando está sem ela, começa a aumentar a necessidade do seu ¬efeito, tem de fumar senão fica mal, vem o tédio, a irritação, a ansiedade, começa o que se chama de tolerância, que é a necessidade de mais Cannabis para o mesmo efeito de sentir paz, de ficar bem, e começa a dependência, que é a dificuldade de controlar o consumo. Todos dizem que poderiam parar, que não são viciados, mas não param... Estão viciados em ficar bem artificialmente, em sentir paz de fora para dentro. E como libertar-se disso? Em geral, os usuários da Cannabis desprezam toda a informação científica que alerta sobre os perigos do uso, achando que isso é uma caretice, desconsideram o que dizem os adultos, os seus pais, os médicos, os cientistas, acreditando que eles são “caretas”, “não sabem nada”, quando na verdade estão preocupados com eles, muitas vezes tentando evitar que façam o que eles mesmos fizeram de errado em sua juventude. 

O que leva um jovem a fazer uso de substâncias é geralmente a busca do prazer, da alegria e da emoção, mas isso pode acabar por afetar o senso de realidade da vida e o fazer ir navegando num mar de apenas sonhos e fantasias, sem concretização, sem um resultado positivo, sem a prática. Muitas vezes o início do seu uso foi uma tentativa de amenizar sentimentos de solidão, de inadequação, de baixa autoestima ou de falta de confiança. Muitas vezes o seu uso é uma forma de afirmar-se como igual dentro de seu grupo, pois existem regras no grupo que são aceitas e valorizadas por seus membros, tais como o uso de certas roupas, o corte de cabelo, a linguagem, a frequência a certos locais e a utilização de drogas. Então tem de ser igual, não pode ser diferente, não pode ser careta... É no grupo que o jovem busca a sua identidade, porém o jovem tem o livre-arbítrio na escolha de seu grupo de companheiros. Na verdade, o tipo de grupo com o qual ele se identifica tem a ver com sua personalidade e suas tendências. 

Uma motivação forte para um jovem buscar substâncias é a transgressão, e transgredir é contestar, é ser contra a família, contra a sociedade e seus valores. Uma certa dose de transgressão na adolescência é até normal e benéfica, mas, quando ela excede um limite normal, representa uma desilusão e um desencanto, e o perigo passa a ser a generalização e a banalização da vida, tipo “Ninguém presta...”, “É tudo um bando de fdp”, “Fulano não estudou e se deu bem na vida...”, “Quem estuda é careta...” etc. 

Os jovens muitas vezes utilizam determinada substância para apontar a incoerência do mundo adulto que usa e abusa das drogas muito prejudiciais, embora de uso legalizado, como a bebida alcoólica, o cigarro e os medicamentos psicotrópicos. A onipotência juvenil é uma característica da adolescência que faz com que o jovem acredite que nada vai acontecer. Pode transar sem camisinha e não vai engravidar, nunca vai pegar AIDS ou outra DST, pode usar drogas e não vai se tornar dependente. E é ainda maior o risco de dependência no jovem quando esse possui dificuldades de lidar com figuras de autoridade, pois aí desafia e transgride compulsivamente, e pode se autodestruir para provar que está certo... 

Os adolescentes sofrem influências de modismos e de ¬subculturas, são contestadores, sofrem conflitos entre a dependência e a independência, querem ser independentes sem serem independentes financei¬ramente, têm uma forte consciência grupal e sentem, com razão, um desprazer com a vida urbana rotinizada e muitas vezes acabam tomando caminhos equivocados para sair dessa rotina. Na década de 60, muitas pessoas começaram a questionar a realidade social e a procurar uma cura psíquica na natureza, já que o mundo urbano parecia não oferecer alternativas. Aprenderam a usar certas plantas para ¬modificar a percepção consciente, era a época dos hippies. Hoje, depois de 30 anos, a maioria reconheceu o seu equívoco, pois viram que esta falsa sensação divina acabou anestesiando a sua realidade individual de não se sentir “bem o bastante”, e perceberam que ser “careta” traz mais paz, mais direcionamento, menos egoísmo de viajar para dentro de si, esquecendo da caridade, da ajuda aos demais, do cuidado com os pobres, com os doentes, com os mais necessitados. Viram que optaram pela “espiritualidade teórica”, que não leva a nada além disso, pois é um atestado do egoísmo, do querer “ficar bem”, em vez de optar pela espiritualidade prática, que é trabalhar pelo bem comum, ajudar quem necessita, estar presente e ativo no mundo.

A sociedade atual, dominada pelos canais de televisão e pela internet, tem muito pouco a oferecer para a rebeldia sadia de um jovem, e faz com que a sua vida pareça ser sem significado. O jovem quer lutar por algo, e o que o mundo lhe oferece? Os jovens sentem necessidade de se descobrir e de responder a questão: “Quem sou eu?”. Mas como a mídia os massifica e os submete às suas ordens e aos seus desejos, os jovens querem saber quem realmente são e optam por fazer isso por meio da Cannabis, onde viajam na fantasia de ser o que não são, e sim o que gostariam de ser, o que a mídia vende como valores importantes, mas que geralmente são bobagens imediatistas, conquistas falsas de vitórias passageiras.

A juventude não encontra um canal para escoar a sua inquietude, e, como a sua agitação interna é grande, muitos jovens utilizam vários tipos de substâncias para livrar-se do desconforto que sentem no corpo, nas emoções e na mente. As substâncias, e entre elas a Cannabis, aliviam o desconforto, funcionam como uma cortina de fumaça para disfarçar uma sensação intensa de vazio. Muitas pessoas começam a utilizar substâncias como uma tentativa de alcançar o seu Eu divino, mas pagam um preço muito alto por isso: o de encontrar um Eu ilusório e teórico. A Cannabis traz uma percepção de realidade passiva e pode até ser um caminho para a expansão da percepção, porém é um caminho passivo, de fora para dentro, e pode causar, então, uma dependência, pois não é uma conquista real, interna, ela é externa, temporária. 

E, frequentemente, quem está ao lado do usuário, invisível? Vejam o relato de uma pessoa quando foi a um bar projetado em espírito (projeção é estarmos acordados ou dormindo e saímos do corpo):

 “Anos atrás, quando eu era mais jovem, costumava ir a um bar noturno para ouvir o pessoal tocar blues e rock. Fiz amizade com os músicos e comecei a aprender a tocar gaita e a cantar blues. Foi uma forma de diversão e de expressão artística que vivenciei por poucos ¬meses, mas com bastante intensidade durante essa época da minha vida. Quase todas as noites, de tanto tentar cantar e tocar blues, ao fechar os olhos, deitado em minha cama, começava a escutar melodias maravilhosas. Foi uma época legal, de muita criatividade, mas também de alguns desequilíbrios. Infelizmente, naquele ambiente, o excesso de emanações alcoólicas, de fumaça de cigarro, além da presença, nos bastidores, de certas drogas, demonstrava que a atmosfera psicoespiritual era bastante perturbadora. Isso não significa que o rock, o blues ou o barzinho, tão frequentado por jovens, sejam sinônimos de desequilíbrio. Mas naquele caso, era. Certa noite, dormindo em minha casa, me vi projetado fora do corpo, estava na porta daquele bar e percebi o que estava ocorrendo. Próximo à entrada havia um grupo de espíritos, alguns desencarnados e outros temporariamente projetados fora do corpo, como eu. Fui me aproximando e, então, vi um espírito, com a aparência de uns vinte e cinco anos, que me chamou a atenção. Ele tinha barba e óculos. Talvez inspirado por algum dos meus amparadores espirituais, cheguei perto dele. Quando ele me viu, fui logo reclamando: – Você é um espírito obsessor! Está me perturbando! Ele continuou na dele, sem dizer nada, apenas me encarando. Então continuei: – Por que você faz isso? Por que está fazendo a turma beber até “encher a cara”? Para meu espanto, ele me respondeu com a maior naturalidade: – Pare de ser hipócrita! Não sou eu que faço o pessoal beber e fumar! Eles bebem e fumam porque querem, eu apenas “curto” junto... dou uma forcinha! Foi aí que “caiu a ficha” e percebi o quanto eu estava sendo infantil. É claro que todos somos responsáveis pelos nossos atos, não podemos responsabilizar os outros por isso. Temos que parar com esse “papo” de espírito obsessor. Então perguntei: – E como você faz isso? – É simples! Quando alguém fuma, por exemplo, chego bem pertinho da pessoa, quase abraçando-a, e aspiro a fumaça junto com ele. Enquanto explicava, foi demonstrando. A impressão que tive, quando ele aspirou a fumaça, é que o perispírito dele se justapôs ao de um jovem que tragava um cigarro naquele momento, quase que “colando” nele. Após esta curta conversa, voltei ao corpo físico e despertei. Fiquei pensando naquilo que vivenciei para não esquecer mais e, após uma prece de agradecimento pela lição recebida, adormeci. Essa lição que aprendi me marcou profundamente. Aquele espírito era um coparticipante dos desequilíbrios alheios, e muito inteligente e culto, um artista e um intelectual, só que desencarnado.”

O uso continuado da maconha faz mal, pois é um vício, e, por melhor que seja o prazer causado pela inalação de um cigarro feito de maconha, poderá não trazer bons resultados mais adiante. Os estudan¬tes que fumam maconha têm dificuldades em estudar e em aprender. Os atletas não conseguem o mesmo desempenho, porque a droga afeta seus reflexos e sua coordenação. A maconha contém alguns dos mesmos elementos que causam câncer e que se encontram nos cigarros, às vezes mais concentrados. Os estudos mostram que uma pessoa que fuma cinco cigarros de maconha na semana consome a mesma quantidade de químicos carcinogênicos que uma pessoa que fuma um maço de cigarro por dia. A fumaça da maconha e do tabaco mudam os tecidos que cobrem o sistema respiratório. Também é possível que em algumas pessoas a fumaça da maconha contribua para o desenvolvimento precoce do câncer da cabeça e do pescoço. As pessoas que fumam maconha frequentemente desenvolvem os mesmos problemas respiratórios daquelas que fumam cigarros, têm sintomas como a característica tosse crônica (bronquite crônica). O uso contínuo da maconha pode resultar em função anormal dos pulmões e das vias respiratórias. Existem evidências de que a fumaça da maconha pode destruir ou danificar o tecido pulmonar. 

Os fumantes frequentes e prolongados da maconha mostram indícios de falta de motivação (síndrome amotivacional): não se interessar verdadeiramente no que acontece na sua vida, perder o desejo de trabalhar regularmente, sentir fadiga e falta de interesse em sua aparência pessoal. Como resultado, muitos têm baixo ou baixíssimo desempenho escolar e no trabalho, e parecem não se importar com isso. As pessoas que começaram a fumar maconha buscavam apenas tranquilidade, para sentirem-se mais calmas e tranquilas, e frequentemente sofriam de desajustes em sua casa, a ausência do seu pai ou da sua mãe, sentiam uma tristeza, uma mágoa, um desconforto, e não queriam sentir isso, queriam ser felizes, queriam ser alegres, sentir-se bem, e essa planta, ao início, muitas vezes traz isso, por isso o seu uso é tão difundido e atraente. Mas, paralelamente a isso, ela pode ir provocando o “efeito colateral” de ir aumentando a dificuldade de lidar-se com a realidade, pois então – beleza! – não é mais necessário enfrentar a tristeza, a dor, a ¬ansiedade, é só fumar um baseado que tudo passa! Para que sofrer se algumas tragadas dessa fumaça me deixam bem, se fico feliz, tranquilo, e posso então relaxar, curtir um som, ser feliz? É o egoísmo do tempo mal aproveitado. 

E como, pelo seu uso, as coisas vão piorando, pois, além do que já havia de problemas, começam a surgir outros, como começar a ir mal no colégio ou na faculdade, o pai ou a mãe começarem a encher o saco, e tem de ficar dando explicação, e querem que vá se tratar, ir a um psicólogo, e lá vêm os discursos, e a encheção de saco, e nada melhor para recuperar o bom humor do que fumar um baseado, e aí fica bem, e aí fica calmo, mas nada melhora, a encheção de saco continua, os discursos continuam e começam as ameaças – “Internação? – nem pensar!”, “Que merda, não sou viciado”, “Eu paro quando eu quiser!”, “É uma planta de poder!”, “Os artistas usam”, “Em vários países o seu uso é liberado, só nesta merda de país subdesenvolvido que não!”. E por aí vai. E mais baseados e mais brigas e mais encheção de saco e mais baseados e mais brigas e mais encheção de saco e mais e mais e mais... E ao lado, os obsessores sorrindo, quanto mais baseados melhor, quanto mais briga melhor. Acabou a paz, acabou a tranquilidade, as notas despencando cada vez mais, o cabelo desgrenhado, a calça arrastando no chão, o tênis sujo, o colírio sempre no bolso, o cheiro que todo mundo conhece, os pais desesperados, tristes, abatidos, sem saber bem o que fazer, onde está aquela guria linda, perfumada, onde está aquele garoto forte, que era bom em esportes, como é que isso foi acontecer conosco?

A respeito dos espíritos obsessores, o Espiritismo ensina que há muitas espécies de desencarnados que, de alguma forma, consciente ou inconscientemente, nos prejudicam. Há espíritos viciados, dependen¬tes do fumo, do álcool, das drogas, da gula, do sexo etc. que, quando encarnados, adquiriram algum vício, a ponto de ficarem dependentes, e ao desencarnarem levam consigo a mesma dependência, pois quem tem os desejos não é a matéria e sim o Espírito. Por isso, existem ¬muitos espíritos desencarnados viciados e dependentes que ficam ¬desesperados por não mais poderem satisfazer os seus vícios diretamente, e este tipo de obsessão é um dos mais difíceis, pois a cura só ocorre quando o obsediado decide, definitivamente, deixar por completo o vício. Se a pessoa não toma esta decisão, o que acontece é que, pelo trabalho de desobsessão, os obsessores são esclarecidos, orientados e afastados para tratamento. Mas como a pessoa continua a alimentar os mesmos vícios, outros obsessores entram em sintonia e dão continuidade à obsessão.

Outra categoria de obsessores é constituída por Espíritos ¬indeci¬sos e indiferentes, que em nada acreditam, que ainda perambulam sobre a superfície da Terra, às vezes até sem se aperceberem que já morreram e vivem sem um rumo determinado e, quando se aproximam de nós, nos transmitem coisas ruins, dúvidas e incertezas, podendo nos induzir à depressão. São aqueles que ficam perambulando na Terra sem objetivo determinado. Quando aqui viviam, dedicavam-se exclusivamente à matéria e, em geral, em nada acreditavam. Muitas vezes não sabem que já morreram, pois se sentem vivos e realmente estão vivos, só que sem o corpo material. Estes espíritos devem ser esclarecidos devidamente, para que possam compreender as diferenças básicas entre os Planos Material e Espiritual e ser encaminhados para estagiar nas Escolas Espirituais, no sentido de aprenderem a finalidade das reencarnações e se prepararem convenientemente para a continuidade da evolução espiritual.

Existem também espíritos obsessores brincalhões que querem se divertir às nossas custas. São espíritos atrasados, que não estão ainda capacitados a distinguir o bem do mal e não têm noção das Leis de Justiça Divina, de causa e efeito. Precisam ser orientados sobre as responsabilidades do livre-arbítrio, a pensarem na própria vida, na sua necessidade de progresso, e irem se preparando para novas reencarnações, deixando, assim, de perder um tempo precioso. Eram assim quando encarnados e continuam assim depois de desencarnados, aproximando-se de pessoas similares, brincalhonas, levianas. 

Jesus, nosso Mestre Supremo, fornece-nos nos Evangelhos uma receita simples e eficiente para não cairmos nas teias da obsessão: Orar e vigiar, e ocupar o nosso tempo disponível em trabalhos meritórios e edificantes, e não apenas em busca de prazer, de lazer.

O que se observa é que uma pessoa que utiliza essa planta em seu dia a dia, para espiritualizar-se (teoricamente), para meditar (egocentricamente), para curtir um som (egoisticamente), para sair com a galera (para, muitas vezes, perder tempo com bobagens), para relaxar (em vez de ir ajudar os demais), para voltar para si mesmo (em vez de dirigir-se altruisticamente para o bem dos outros), para esquecer as chatices de sua vida (em vez de adultamente enfrentá-las), nunca reconhece que está viciado e sempre afirma que pode parar quando quiser. Diz que a maconha não lhe faz mal, que ela não lhe prejudica, mas quando a voz de sua Consciência ou o apelo do seu Mentor Espiritual lhe recomenda a suspensão desse hábito, ao tentar, essa intenção não perdura mais do que um ou dois dias, revelando a realidade: está viciado, sim, e não consegue parar. E por que não consegue? Por muitas razões, entre elas, porque adquiriu o hábito diário de fumar um baseado, isso passou a fazer parte da sua rotina, pra curtir um som, pra comunicar-se pela Internet, afinal, todos os seus amigos fumam, porque viciou-se na facilidade de sentir-se bem artificialmente, não aceita mais estar incomodado com algo, não admite mais se sentir contrariado. Por que ficar triste ou irritado se um baseado o acalma? Mas também porque, ao seu lado, invisivelmente, muitas presenças espirituais utilizam a substância com ele, e não têm nenhum interesse de que ele pare, é uma subjugação, e a grande capacidade desses seres é entrar no nosso pensamento e dominá-lo, e então o uso de uma chamada “planta de poder” transforma-se numa deficiência de poder pessoal, numa falta de poder de autonomia, e uma sujeição ao poder de entidades trevosas e maléficas. 

A partir daí não basta mais a realização de uma terapia ou uma busca de solução em sua própria Consciência, é obrigatória uma consulta em um Centro Espírita e um tratamento espiritual para a doutri¬nação dessas entidades, visando o seu convencimento de que, melhor do que ficar aqui na Terra ainda atados ao seu vício, encostados a ¬usuários, é subir de volta para Casa, no Plano Astral, onde depois de um tratamento em um hospital irão ter a oportunidade de refletir sobre o que fizeram de sua vida, o que fizeram de seus sonhos e ideais, de como perderam o seu poder pessoal, de como se viciaram no desejo de ficar sempre bem, sempre em paz...

Numa época de transição como está passando o nosso planeta, em instantes tão preocupantes da caminhada evolutiva do ser ¬humano, o Espiritismo vem difundir as informações antidrogas que chegam do Plano Espiritual, divulgando os seus informes e os seus relatos, alertando para o uso irresponsável e infantil de substâncias, no seu aspecto preventivo e no de assistência aos já dominados pelas Trevas. Pois uma das maneiras das Trevas atrasarem o plano de Deus para os seres humanos é atraí-los, pela brecha do egoísmo infantil, do “aproveitar a adolescência”, do “aproveitar a vida”, tão incentivado pela mídia capitalista e materialista, e levá-los para o mundo da ilusão. 

Nas obras Missionários da Luz e Evolução em Dois Mundos, de André Luiz, esse autor espiritual nos ensina que os neurônios guardam relação íntima com o perispírito, e a agressão das drogas às células neuroniais reflete-se nas regiões correlatas do corpo perispiritual, em forma de lesões e de deformações consideráveis que, em alguns casos, podem chegar até a comprometer a própria aparência humana do perispírito. Tal comprometimento concorre para o surgimento de um acentuado desequilíbrio do Espírito, uma vez que o perispírito funciona, em relação a este, como uma espécie de filtro na dosagem e na adaptação das energias espirituais junto ao corpo físico e vice-versa. E muitas vezes o consumo excessivo das drogas faz com que as energias oriundas do perispírito para o corpo físico sejam bloqueadas no seu curso e retornem aos centros de força, provocando fraqueza, ¬desalento, tristeza, queda do rendimento em relação a tudo, o que faz com que o usuário opte por usar ainda mais o que está provocando isso, num círculo vicioso que só pode terminar se, um dia, olhar-se num ¬espelho e reconhecer que se enganou, que se perdeu, que se tornou um arremedo de si mesmo, e procurar ajuda dos adultos “caretas” e de um Centro Espírita, além de aprender a rezar e a pedir ajuda a Deus, a Jesus, a Nossa Senhora, aos seus Mentores Espirituais.

 A observação dos usuários constantes mostra que a concentração, a memória e o raciocínio ficam prejudicados de forma permanente. Tudo começa a ser postergado, vai sendo deixado para depois, o usuário vai tendo a impressão de que tudo está bem, quando seu mundo está desabando... A maconha dá essa sensação ilusória de que as coisas estão bem, tudo se resolve, nada exige pressa, se for mal no colégio ou na faculdade, isso não é tão importante assim, depois se resolve... Se vai mal no trabalho, se começa a faltar, os atestados resolverão, afinal de contas, o seu chefe é um cara legal, tudo está certo, tudo se resolve... Dali uns anos, quando vê que ficou para trás, só vê uma solução: fumar mais maconha para se consolar do que fez consigo e com sua vida. Ou, melhor, do que não fez...

Planta de poder? Pode ser, mas fumar dois a três baseados por dia, acordar mal, a cabeça pesada, o quarto uma imundice... A Cannabis pode ser realmente uma planta de poder, mas por que a imensa maioria das pessoas que a utilizam tornam-se pessoas sem poder? 

Planta sagrada? Todas as plantas são sagradas. Mas tudo jogado, a tosse, os ataques à geladeira, não consegue se concentrar, vai mal nas notas, mal no trabalho, vai ficando cada vez mais egoísta, mais teórico, cheio de ideias que não consegue realizar... Isso é sagrado? A Cannabis sativa, como todas as plantas, é sagrada, seus usuários também são sagrados, como todos os seres humanos o são, mas ficar preguiçoso, desleixado, egoísta, isso é sagrado?

Uma pessoa trabalhadora na Umbanda nos diz assim: 

“Os nossos orientadores espirituais têm nos avisado do ¬perigo que o planeta corre. No submundo espiritual são traçados planos sórdidos para a destruição da juventude através das drogas. Os nossos ¬Guardiões estão trabalhando muito para derrotar esta horda de ¬espíri¬tos malfeitores, é uma guerra que está sendo traçada na ¬espiritualidade. São dois exércitos: a Luz contra as trevas, o Bem contra o mal. O outro lado também possui o seu exército, e é muito numeroso, são milhões e a cada dia aumenta o seu número devido à irresponsabilidade e à vulnerabilidade do ser humano que se deixa influenciar por esses espíritos. Infelizmente, os encarnados tornam a missão de nossos Espíritos Guardiões árdua e difícil, devido às suas atitudes, pois facilitam o trabalho de espíritos obsessores. A cada derrota, os nossos ¬Guardiões choram e se preocupam com o futuro do planeta, enquanto o exército inimigo comemora de uma maneira nojenta. Eles aprisionam os espíritos dos desencarnados que foram viciados, praticando com eles os tipos mais vis de torturas, numa cena lamentável. Uma noite, nossos Guardiões perderam uma batalha, perderam quatro jovens para o alcoolismo. Eles voltavam de uma balada e morreram em um acidente. Um grupo de espíritos negros os acorrentou e os levou como escravos, abriu-se um buraco no asfalto e eles entraram por ele, rindo, gargalhando e aterrorizando os jovens. Muitas dessas cenas se passam no astral sem que a humanidade tome conhecimento, é uma batalha diária que poderia ser diminuída se nós tivéssemos espiritualidade, fé e consciência. Pensem nisso, reflitam antes de se deixarem levar pelo vício e por atitudes ilícitas.” 

Na obra Memórias de um Toxicômano, o espírito Tiago mostra para o leitor como diversos personagens envolveram-se com a droga. Descreve a zona de sofrimento para onde são levados. Descreve, também, a situação espiritual de inúmeros viciados e o trabalho desenvolvido pelas forças do bem para resgatá-los, quando estiverem em condições. Descreve ainda muitas atividades que desencarnados ligados ao vício realizam para manter os dependentes, do mundo físico e do mundo espiritual, atrelados às drogas. Na obra Educação e Vivências, Camilo afirma que: “Nenhum processo de toxicomania está dissociado dos processos das almas enfermas. Espíritos sadios não se deixam embriagar pelas drogas”. 

Muitos usuários da Cannabis gostam do Budismo. O que diz Buda a respeito?

 “Um dos princípios do Budismo é “Não usar drogas”. O princípio é não alterar o estado natural da mente. Por que o Buda condenava os estados alterados de consciência? Porque a consciência é o foco de toda a filosofia budista. Todo o Budismo gira em torno de estar ¬presente, atento, alerta, consciente, vivo, fluindo junto com as mudanças, em vez de fugindo. A mente natural é o único refúgio seguro, duradouro e real. Do alto da mente limpa você pode ver o mundo e a vida com maior abrangência, sem obstruir um aspecto da mente em detrimento da ampliação de outros. O Buda prega vivenciar o presente na sua plenitude. Com as substâncias você nunca está realmente presente, nem atento, nem alerta, nem realmente consciente, por mais que ela lhe dê essa sensação. Com a Meditação, você está usando técnicas para diminuir a frequência de pensamentos e de emoções, você presta atenção a coisas que normalmente passariam em branco: sutilezas da respiração, sensações na pele, nos músculos, e naquele momento você está ampliando um aspecto da mente em detrimento de outros, exatamente como acontece na experiência com drogas. Mas existem diferenças enormes. As drogas te distanciam ainda mais do seu mundo interno. Numa viagem com drogas, mesmo que você feche os olhos e tente entrar em contato com seu “Eu Superior”, o máximo que vai conseguir é uma sessão de diálogos intermináveis, ou um mergulho num oceano de imagens espontâneas, surfando em sensações deliciosas. Talvez consiga até um encontro memorável com o Amor Universal. Já meditar é o contato com uma coisa muito crua, simples, muito palpável, que pode ser vista como “natural”. É simplesmente você, lá, sentadinho, respirando. Não tem a menor graça, mas é a maior Graça. É infinitamente simples, e simplesmente infinito.”

Vamos ver os efeitos prejudiciais do ponto de vista físico. Um dos efeitos do uso contínuo da Cannabis é uma bronquite crônica, que se revela naquela tossezinha chata e constante, provocada pela fumaça quente do uso cotidiano dessa planta. E apesar de haver entre os usuários uma ideia disseminada de que fumar maconha é menos ¬prejudicial aos pulmões do que fumar tabaco, isso não é realidade. Em matéria de material particulado, fumar de três a quatro baseados por dia equivale a fumar mais que 20 cigarros de tabaco, porque ela é fumada com um volume de tragada dois terços maior, um volume de inalação um terço maior e com um tempo de retenção da fumaça quatro vezes maior do que os valores considerados para o tabaco. Com o uso contínuo, os brônquios e o pulmão passam a ser afetados. Devido à contínua exposição com a fumaça tóxica da droga, o sistema respiratório do usuário começa a apresentar problemas como a bronquite e a perda da capacidade respiratória. Além disso, por absorver uma quantidade considerável de alcatrão presente na fumaça de maconha, os usuários da droga estão mais sujeitos a desenvolver o câncer de pulmão.

O consumo da maconha também diminui a produção de testos¬te¬rona. A testosterona é um hormônio masculino responsável, entre outras coisas, pela produção de espermatozoides. Portanto, com a diminuição da quantidade de testosterona, o homem que consome continuamente maconha irá, com o tempo, apresentar uma capacidade reprodutiva menor. O uso continuado dessa planta também diminui o tamanho e o peso da próstata e dos testículos, e com isso diminui o nível dos hormônios sexuais. Pode surgir impotência, física e também a provocada pela chapação, e incapacitação para gerar filhos. E também pela diminuição dos hormônios masculinos, pode provocar ginecomastia (aumento do seio) em jovens do sexo ¬masculino.

A maconha atinge os linfócitos (células sanguíneas responsáveis pela defesa do nosso organismo), diminuindo a resistência a infecções. 

Um outro efeito prejudicial do uso desregrado da Cannabis é uma redução da pressão intraocular, que pode provocar sérios problemas nos olhos, dependendo do uso maior ou menor da planta, mas como ela provoca dependência, principalmente psicológica e espiritual, o seu uso acaba por provocar danos oculares, também devido ao uso de colírios utilizados para disfarçar a vermelhidão provocada pela vasodilatação dos capilares da conjuntiva ocular. Os colírios branqueiam a vermelhidão dos olhos por conter substâncias vasoconstritoras que, com o tempo, vão provocando o ressecamento dos olhos, causando conjuntivites e outras doenças oculares. Os colírios contêm sulfato de zinco e ácido bórico, dois compostos que provocam uma vasoconstricção alérgica da conjuntiva ou vasoconstrictores anfetamínicos, como a nafazolina, que, a longo prazo, podem causar catarata, glaucoma e cegueira. Geralmente, o usuário diário dessa planta utiliza colírio algumas vezes por dia, antes de ir ou retornar para a aula, antes de ir falar com seu chefe ou alguém importante, antes de algum compromisso em que não possam saber que é um usuário, antes de chegar em casa, e essa necessidade de disfarçar vai afetando seus olhos, como um simbolismo de que necessitaria começar a enxergar corretamente o que está fazendo consigo, com a sua vida, com os seus antigos planos, com seus talentos. 

Existe atualmente uma maconha alterada – transgênica – chamada de Skunk, cultivada com hidroponia, que tem aumentado em muito o potencial do D9-THC e o percentual de canabinoides. A maconha de anos atrás tinha 0,5% de THC e a atual supermaconha, artificial, química, produzida em laboratório, para viciar mesmo, tem até 30% de THC! E, então, o seu potencial viciante é enorme, que é o que os traficantes querem. Aliás, como o uso da Cannabis parece com um procedimento espiritual, pois os usuários acreditam que estão se espiritualizando, os traficantes que fingem ser amigos, irmãos dos usuários, são chamados de “brothers”... Com “brothers” assim, melhor um inimigo. 

O dano neurológico dessa supermaconha é vasto: confusão mental, incapacidade de aprendizado e de concentração, irritação e agressividade contra parentes e contra a família quando existe um período de abstenção, problemas na gengiva, consumo elevado de açúcares e de carboidratos, olhos vermelhos, indisposição para tudo, perda progressiva de memória, riso frouxo e sem motivo para qualquer coisa, mesmo as coisas tristes e deprimentes, depressão constante e insensibilidade quando o efeito da droga passa, incapacidade de transmitir ideias e recados, frases incompletas e desconexas, troca de palavras e perda da capacidade cognitiva, falsas interpretações, confusão e troca de valores simples, incapacidade para efetuar alguma coisa mais complexa, uma espécie de criancice e incapacidade tola, perda da razão simples, dificuldade de articulação mental, porque o setor de armazenamento de informações no cérebro está comprometido, constante ansiedade, perda da acuidade visual, do campo visual, perda dos reflexos rápidos, confusão e irritação no trânsito, dificuldade da capacidade de dirigir, dificuldade de aprender qualquer coisa nova, alteração da criatividade, porque ela provoca perda de memória e é difícil ser criativo ¬esquecendo aquilo que pensou...

Para finalizar, eu convido a todas as pessoas que fumam ¬maconha há alguns anos a fazer um teste: quando fumar um baseado, dali uns minutos, pergunte-se: “Eu estou melhor ou pior do que estava antes de fumar?”. Jogo todas as minhas fichas que vai dizer para si mesmo: “Estou pior, mais parado, mais aéreo, menos concentrado, meus pensamentos estão desconexos, me fechei em mim mesmo, minha cabeça parece que está enuviada...”. E pergunte-se se a maconha está ajudando a realizar, a concretizar os seus sonhos, a desenvolver os seus potenciais, se o ajuda a manter o foco ou o distrai dele, se o ajuda a ter persistência, a ter disciplina, ou o afasta disso? E, então, o que sugiro é que pare de fumar maconha por um tempo, retome a sua vida de antes de começar, e passe da condição de usuário para a condição de curador, de conselheiro, para quem ainda fuma. 

A vida encarnada é uma escola e uma grande parcela dos ¬usuários são espíritos que estão experimentando essa viagem para, um dia, sair dela e ir cuidar de quem ainda acha que é uma viagem com um rumo e que estão apenas rodeando. A maioria dos usuários de bebida alcoólica, cigarro, maconha etc., são Guerreiros e Guerreiras da Luz que vieram para a Terra para aprender o que é esse uso, experienciar, sentir seus efeitos e, depois, ir ajudar seus irmãos e irmãs que estão ainda fazendo o que eles mesmos fizeram. É uma Mssão! Mas, para cumpri-la, é necessário primeiro vivenciar seu uso, depois parar e então ir ajudar os que ainda estão aprendendo.