Após muitos milênios em que as mulheres dominaram os homens, gradativamente esse comando passou a ser dos homens sobre as mulheres e agora, finalmente, vem nascendo uma Nova Era, em que não existirá mais o poder de um gênero sobre outro, criando-se, gradativamente, na Terra, uma igualdade entre ambos. Nessa fase de transição é normal que ocorra uma grande confusão, em que o que está acontecendo fica sujeito a forças instintivas e a forças vindas do Universo, fazendo com que ocorram exageros, tanto para quem sente que isso está acontecendo e deseja, consciente e inconscientemente, colaborar para a mudança, como para quem, ao contrário, deseja impedir que ela ocorra, por motivos vários.

O que se chama de “empoderamento das mulheres” é algo absolutamente necessário para que essa transição ocorra, pois o poder dos homens sobre as mulheres chegou ao seu ponto crítico, aqui no lado ocidental do nosso planeta mas, principalmente, no lado oriental, onde trava-se, em muitos países, uma verdadeira guerra interna entre homens e mulheres, com proibições, penas, castigos e outros absurdos semelhantes.

Mas o “empoderamento das mulheres” pode, por incrível que possa parecer, em alguns casos, mais colaborar para manter o poder dos homens sobre as mulheres do que para libertá-las disso, e é interessante abordarmos esse aspecto para que as mulheres que desejam “empoderar-se”, o façam respeitando o Sagrado Feminino e não absorverem dos homens o que eles têm de pior, tornando-se “mulheres-macho” do ponto de vista negativo, tão ou mais agressivas e grosseiras do que alguns homens a quem criticam e renegam, mas que, no fundo, admiram e desejam ser iguais, ou até piores.

Nessa Nova Era que vem se instalando na humanidade, a Era de Aquário, que sucede a Era de Peixes, nesses próximos 2.000 anos, aos poucos, o conceito “homem” e “mulher” irá dando espaço a um conceito muito mais abrangente: o masculino e o feminino. A tendência dessa Nova Era é que a única diferença entre um homem e uma mulher seja física, ou seja, um com pênis e outro com vagina, em tudo o mais homens e mulheres irão se tornando absolutamente iguais, nas roupas, no cabelo, na maneira de ser, empregos, cargos, enfim, em tudo que seja humano. Quanto à procriação, necessária para que a humanidade continue, a única diferença será que um entrará com o espermatozóide e outro com o óvulo para formar novos seres humanos, um será a lança e o outro o cálice. Essa tendência à igualdade irá ocorrendo, século após século, chegando ao seu ápice em torno do ano 3.000 e aí começará a decair para ir surgindo, também gradativamente, a era seguinte, a Era de Capricórnio, com suas características peculiares.

Mas voltando a 2018, nesse início da Era de Aquário, a mudança recém começa a ocorrer e aí a confusão se instala, homens querendo ser “mais homens”, homens querendo ser “menos homens”, homens querendo ser mulher, mulheres querendo ser “mais mulheres”, mulheres querendo ser “menos mulheres”, mulheres querendo ser homem, homens querendo ser “homem-mulher”, mulheres querendo ser “mulher-homem”, alguns querendo ser vários modelos ao mesmo tempo, dependendo do seu humor naquele dia ou noite, do ambiente que frequenta ou onde está naquele momento, da notícia que lê no jornal ou o programa que vê na TV ou na Internet, a entrevista que assiste a respeito desse assunto, o filme que aborda esse tema, etc. Aliando-se a isso o gênero sexual que aquele Espírito mais ficou sintonizado em suas vidas passadas, mais os traumas de sua infância, da adolescência, da fase adulta (se já é adulto, claro), etc., está instalada a confusão na vida de milhares e milhares de pessoas aqui no Brasil e milhões no mundo todo. Além de toda a confusão que é a própria vida, e bota confusão nisso, soma-se atualmente mais uma dentro da nossa mente, a da identidade de gênero. E agora, o que fazer? Olho pra traz, olho pra frente, deixo assim, mudo, não mudo, encaro, não encaro, está certo, está errado, é evolução, é patológico, é moderno, é só sacanagem, é saudável, é loucura, cada um fala uma coisa, o médico, o terapeuta, meu pai, minha mãe, meus amigos, um ou dois em especial, o Face, os programas na TV, as revistas, as novelas, os filmes, que confusão!

As pessoas que estão vivendo esse, muitas vezes, drama em sua vida, entendem o que está acontecendo ou estão vivendo apenas à mercê de todas essas forças (internas e externas)? Os terapeutas, oficiais ou alternativos, quando buscados, entendem realmente disso, estão sendo sinceros quando afirmam que não têm preconceito a esse respeito? A mídia, em todas suas manifestações, entende o seu papel de colaborar para clarear esse assunto e beneficiar quem está vivendo esses conflitos dentro de si ou está apenas sendo “moderninha”? Os pais e os educadores que, muitas vezes, também têm seus conflitos a esse respeito, estão sendo sinceros, com os seus filhos ou com os filhos dos outros, criticando essa “loucura” da juventude ou também sendo, muitas vezes hipocritamente, “moderninhos” da boca pra fora?

E no meio de toda essa confusão, quase teatral, estão os principais atores, os que sentem um conflito dentro de si, que admitem ou negam, que aceitam ou não aceitam, que assumem ou não assumem, que gostam disso ou preferiam que não existisse, e por aí vai. E isso é um assunto muito sério, pois gera isolamento, depressão, tabagismo, alcoolismo, drogadição, doenças psicossomáticas e, cada vez mais, tentativas ou concretização da “única solução”, o suicídio. E são milhões de pessoas, no Brasil, em todo o mundo! Estão entendendo o que está acontecendo dentro de si? Os demais ao seu entorno estão entendendo? O caminho é a repressão, muitas vezes brutal, ao estilo “isso é errado!” ou “isso é contrário à nossa religião!”, é a aceitação pura e simples, ao estilo “é liberdade” ou “é coisa da juventude”, ou outros raciocínios simplistas baseados apenas em uma preguiça de pensar, de se dispor a querer entender o que está acontecendo, o que significa essa movimentação toda?

O que está acontecendo, então e finalmente, é que está entrando a Era de Aquário, com seu futurismo revolucionário, com sua escancarada irreverência, com sua mensagem de igualdade, mas, estando apenas no início, traz essa confusão toda que se não for entendida por quem a está captando e por quem não está, irá originar uma bagunça enorme, com consequências físicas, psicológicas, mentais e sociais, muitas vezes trágicas, quando tudo isso poderia ocorrer de uma maneira mais leve, mais compreensível, que é o que o entendimento do que ocorre dentro da gente traz. Sem esse entendimento, indo apenas ao fluxo dos acontecimentos, de qualquer jeito, aos trancos e barrancos, sem uma viagem interior de autoconhecimento, sem uma compreensão do que é isso que está ocorrendo no interior de si, com ou sem o auxílio dos pais, educadores e terapeutas realmente sinceros consigo mesmos e com quem está procurando uma ajuda ou pedindo um conselho, não é necessário ser muito inteligente nem um visionário para perceber que teremos décadas ou séculos de sofrimentos em vão, de conflitos desnecessários.

Mas, adentrando no assunto dessa reflexão - O empoderamento e o Sagrado Feminino – vamos pensar juntos se esse tipo de empoderamento é realmente feminista ou mais uma tática, machista, disfarçada? Se ele verdadeiramente contribuirá para as mulheres assumirem seu lugar nesse mundo ainda de propriedade dos homens ou irá apenas incrementar ainda mais o poder masculino exercido por mulheres? Para não nos distrairmos demasiadamente com os vários aspectos do empoderamento, vamos nos ater a apenas um, o aspecto do exercício da sexualidade.     Para isso, peço, antecipadamente, licença para utilizar algumas maneiras de falar meio chulas, como se fala na vida real mesmo e não nos compêndios médicos e psicológicos, com sua terminologia rebuscada e complicada, geralmente muito chata e inacessível aos chamados leigos, que deveriam ser os que leriam esses livros e não livros apenas para os chamados especialistas, muitas vezes, sérios, rígidos, duros, preconceituosos, ou moderninhos, atualizados, liberais, ambos os grupos com suas máscaras preferidas, utilizadas para ocultar o que se esconde dentro de si, profundamente, mas que o temor disso faz com que escondam dos outros ou realmente acreditam nas máscaras, tão fixas e ajustadas estão ao seu rosto.

Bem, vamos lá. Os homens há muito tempo são adeptos de um esporte eminentemente masculino, o seu esporte favorito, o de comer mulheres, e não estou falando de canibalismo. E mais do que isso, sempre quiseram ganhar de goleada, 1 a 0 é pouco, ainda mais se o 0 for sua namorada, noiva ou esposa, tem de ser um placar que os façam sentir-se vitoriosos ao final do jogo, tipo 2, 3, 4 a 0, ou mais, de preferência muito mais. Aí o jogador vai pro vestiário satisfeito, realizado, é um vencedor, cheio de troféus, é um campeão! Quanto mais elástico o placar, mais vitorioso é, mais invejado pelos outros jogadores, mais motivo de admiração, imagine o goleador, só vai de 4, 5 a 0, esse é o cara, isso é ser homem, isso é ser bem sucedido, não é como aqueles que só ficam no 1 a 0, raramente pinta um 2 a 0, e imaginem então os fracassados que não saem do 0 a 0...

Mas pra não acharem que só fico falando mal dos homens, vamos falar das mulheres, que tipo de jogador uma grande parte delas admira? Os que não conseguem sair do 0 a 0, os que se contentam com 1 a 0, ou com os goleadores? Nas novelas, nos filmes, na vida real (que sempre tende a imitar a vida imaginária), que tipo de homem é o vencedor? Quem é que sempre ganha a mais bonita, a mais gostosa, represente ela o papel da boa moça ou da megerinha sacana? E então os homens em sua casa olham pro lado, ali está seu 0 a 0 ou seu jogo está, escondido, em 1 a 0, 2 a 0... E as mulheres olham pro lado, ali está seu homem, elas lutam ferrenhamente para que o jogo permaneça para sempre 0 a 0, mas, lá no fundo, gostariam que ele ganhasse de goleada, mas ao mesmo tempo não querem ser traídas... Haja Terapia ou Lexotan ou Fluoxetina.

E então as mulheres que estão sentindo a chegada da Era de Aquário ou que não estão sentindo isso mas vão imitando porque está na moda, pois antes era homem deve ser assim, agora é mulher deve ser assim, estão se empoderando, e eu acho isso ótimo, é isso mesmo que essa Nova Era vem trazendo em seu bojo, tenho uma filha extremamente poderosa e sinto muito orgulho dela!  O que ela exerce em sua vida diária, em termos de generosidade, de doação, de cuidado e atenção com pessoas com necessidades especiais, poucos homens e mulheres fazem, e ela faz! 

O que eu quero aqui trazer é um questionamento: se em nome desse empoderamento, algumas mulheres não estão pegando dos homens o que esses têm de pior? Se estão feministas ou machistas? Por que se alguém pega de outra pessoa uma característica, no mínimo é porque admira aquela pessoa, então se algumas mulheres resolveram imitar os homens é porque os admiram, mas não os criticam? Mas como pode criticar e querer ser parecido? Fico confuso.

Algumas mulheres que sentem dentro de si que é chegada a hora da mudança, da transformação, não querem mais ser dominadas pelos homens, elas querem agora dominar, não querem mais ser (ou parecer) submissas, querem ser autoritárias, agressivas, não querem mais ser comidas pelos homens, elas agora querem comer, não querem mais ser a comida no prato, querem ser quem come. Mas dominar, ser autoritário, agressivo, e só querer comer, não é o que mais criticam nos homens? E querem ser isso? O que abominam nos homens é o que querem para si? Como eles são é como querem ser? Criticam os goleadores e querem ser goleadoras? Saem de noite pra ganhar de 3, 4 a 0, mas não é isso que acham errado nos homens? E decidiram fazer igual? E vou falar uma coisa aqui muito íntima, se eu tivesse 20, 30 anos, acho, não tenho certeza, mas acho que adoraria ser a comida no prato... imagina 3 ou 4 mulheres me comerem numa só noite? Agora, elas seriam as vencedoras ou eu? Elas achando que foram elas, eu achando que fui eu. Estou ficando cada vez mais confuso. 

Mas, por traz de toda essa confusão, existe algo muito sagrado em nós, além do nosso Espírito, é o nosso corpo. Ele é um Templo e como todo Templo tem poucas portas, justamente para não poder entrar qualquer um, fazer uma bagunça, profanar um espaço sagrado. Uma delas é a boca, por onde deveria entrar apenas o que nos alimenta, mas mais comumente é uma porta aberta para o que sacia nossas necessidades infantis ou adolescentes. E existe outra porta, que é o nosso pênis (porta que abre pra fora) ou a vagina (porta que abre pra dentro), como está nosso respeito com essa porta? Quem é homem, onde coloca seu pênis? Quem é mulher, quem entra por essa porta? Quem utiliza o ânus, o que permite que entre por ali? Preciso falar que chegamos num ponto delicado do nosso bate-papo?

Um dia vou falar sobre o Sagrado Masculino, mas hoje vou ficar apenas no Sagrado Feminino, e isso já dá pano pra manga pra caramba, seria aumentar a confusão. Ou seria colaborar para clarear as nossas mentes? Depois eu penso nisso. O que é o Sagrado Feminino? Certamente não é ser mulherzinha, submissa, incapaz, coitadinha, vítima, ser comida por todo mundo, nem é ser prepotente, fodona, toda metida a coisa e tal, beber cerveja direto da garrafa, arrotar, comer todo mundo, homem, mulher, o que pintar na sua frente. Mas como o Sagrado Feminino não é um atributo, digamos, espiritual, das mulheres mas também dos homens, não é um homem ser inseguro, fraquinho, timidozinho, nem ser o mais musculoso do bairro, o cara que levanta mais quilos na Academia, o que bota o som do carro a todo volume e passa pelas ruas todo garboso, enfiando o dedo no nariz, com o pau duro pronto pra goleada. 

Encontrar e cultuar o Sagrado Feminino é buscar, dentro de si, homens e mulheres, uma Luz tão grande, tão pura, tão sublime, tão maravilhosamente clara e imaculada, que lhe permita ser fortemente gentil, firmemente delicado (a), suavemente equilibrado (a), masculinamente maternal, harmoniosamente pai/mãe de si e dos outros. A Era de Aquário vem chegando para libertar as mulheres dos seus rótulos, impostos pelos homens nesses milênios todos, mas também vem para libertar os homens de seus próprios rótulos. O Sagrado Feminino não é apenas para as mulheres, para começarem a se dar o devido respeito, para que sejam, então, respeitadas e admiradas pelos homens; é também para os homens iniciarem um processo de respeito por si mesmos, para serem respeitados e admirados pelas mulheres. Essa é a proposta aquariana, respeito verdadeiro, respeito por si e respeito pelos outros, um mundo fraternal, amizades verdadeiras, admiração por estar conseguindo e por quem está tentando, homens e mulheres finalmente iguais, pênis e vaginas em perfeita harmonia. 

Por enquanto, é essa confusão, mas faz parte dessa busca do Sagrado Feminino. Outro dia falaremos do Sagrado Masculino, por enquanto deixa assim.