OndeEstaOAmor      Eu sei que não, mas muitas vezes, e cada vez mais, a impressão que passa para nós, pessoas “de bem”, é que o Amor está desaparecendo, substituído pela Disputa. Eu sei que o Amor existe, persiste, e, que no final, sempre vence, mas por que a Disputa está ainda vencendo?

         Disputa-se tudo: ideologias, religião, ideias políticas, paixões clubísticas, direita, esquerda, quem está certo, quem está errado, quem é terrorista, quem não é, quem pode ter a bomba, quem não pode, de quem é a terra, de quem não é, quem é o responsável, quem é o irresponsável, enfim, antes de preencher todo esse espaço com questionamentos, me atenho a apenas um: Onde está o Amor?

 

         Todos se afirmam certos, o errado sempre é o outro, todos têm a receita para a igualdade social, os direitos do povo, o fim da miséria, o fim do racismo, o fim da violência, todos se afirmam religiosos, vão à Igreja, ao Templo, ao Centro, todos rezam, acreditam em Algo superior, em Deus, em Alá, em Javé, em Oxalá, todos pedem ajuda a Seres superiores, a maioria tem família, pai, mãe, avô, avó, tios, tias, filhos, filhas, alguns já têm netos, amam a eles, mas é isso que transparece na vida real em relação aos "outros"?

         Esse “todos” inclui os milionários, os bilionários, os da classe média, os pobres, os miseráveis, os políticos, os industriais, os comerciantes, as polícias, os militares, os traficantes, os jornalistas, os comuns, os anônimos, enfim, “todos “ é “todos” mesmo, incluindo eu e você.

         O que aconteceu que chegamos a esse ponto? Por que a Disputa está vencendo o Amor? Por que a Agressividade está sobrepujando a Gentileza? Por que a Competição está superando a Fraternidade? Será que é o que ensina o símbolo Yin/Yang de que, para chegar ao Ponto de Mutação é necessário alcançar o Caos, para, só então, virar a Roda de Samsara e o novo começar, gradativamente, a predominar? Realmente precisaremos chegar ao Caos? E, se sim, o que será esse Caos? 

         Infelizmente, parece que sim, mas podemos fazer algo para evitar isso ou quem comanda tudo é o Destino e somos marionetes dele, apenas cumprindo ordens, sem o sabermos, representando o nosso papel nesse trágico teatro humano? 

         Utopicamente, as chamadas pessoas “de bem” deveriam realmente fazer o bem, mas não apenas nas Reuniões, nos Congressos, nos Seminários, nacionais ou internacionais, falando de paz, de amor, de igualdade, fraternidade, direitos humanos, direitos dos animais, mas no seu dia-a-dia, no cotidiano, principalmente ao defrontar-se com quem pensa diferente, é de uma ideologia política diversa da sua, de uma opção religiosa diferente, de uma opção sexual que diverge da sua, de uma cor de pele diferente, de uma preferência clubística diferente. 

         Manifestar paz e amor entre os afins é muito fácil, aí o Amor predomina pois não se defronta com a Disputa, Mas entre quem tem divergências de opiniões ou preferências, geralmente a Disputa vence. Então que Amor é esse que todos falam? É o Amor apenas entre os iguais? E isso é Amor? Ou é um disfarce da falta de Amor, é apenas uma afinidade? 

         Como todas as pessoas “de bem”, tenho muitas perguntas, e, como elas, desculpe, não tenho a resposta. Só sei que temos de dar um jeito do Amor vencer a Disputa, ou aguardarmos o Caos. Enquanto isso, proponho exercermos algo que não é o Amor, mas um caminho para Ele: o Respeito. Aprender a respeitar quem pensa diferente é, provavelmente, o maior aprendizado dos seres humanos, provando a si mesmos se são mesmo humanos.